Sem cirurgia, balões gástricos previnem a obesidade e prometem eliminar os quilinhos extras de quem tem sobrepeso em seis meses. Saiba mais
Reportagem: Rita Albuquerque
O que é o balão gástrico?
Aprovado pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância
Sanitária) , o balão gástrico Orbera™ é um dispositivo inserido
no estômago por meio de endoscopia. Nele, são injetados soro e azul de
metileno. Quando implantado, o balão proporciona sensação de
saciedade, tanto pelo volume ocupado, como pela localização onde é posicionado.
O procedimento ocorre com efeito de sedação e dura cerca de 20
minutos, podendo ser realizado em hospitais ou clínicas especializadas.
Como funciona o emagrecimento?
A permanência do balão gástrico no estômago é de
até seis meses. Nesse período, o paciente perde em média 12%
do peso inicial, visto que a sensação de saciedade é ocasionada pelo
volume do dispositivo implantado. Caso o nível de obesidade seja elevado,
há possibilidade de inserir um novo balão no intervalo de um mês após
a retirada do primeiro.
Após o procedimento, o paciente segue um programa
multidisciplinar coordenado por médicos, nutricionista, psicólogo e preparador
físico, cuja função é a manutenção dos resultados conquistados.
Para a nutricionista Jéssica C. O. Berto (SP), sendo o método invasivo
ou não, a recuperação do paciente deve ser sempre acompanhada por uma
equipe que objetiva modificar hábitos alimentares e comportamentais,
além de incentivar a prática de atividades físicas. "Devemos
conscientizar que o emagrecimento é uma consequência e que tratamentos
milagrosos não existem. Persistência e força de vontade são
sempre necessárias para chegar ao objetivo principal", afirma.
Quem pode fazer o procedimento?
O balão gástrico visa atender a população com sobrepeso,
ou seja, IMC (Índice de Massa Corporal) maior ou igual a 27, e
que não tenha conquistado resultados satisfatórios com remédios
emagrecedores e dietas restritivas. As pessoas obesas, que
não querem enfrentar a cirurgia de redução de estômago, também podem optar
pelo balão gástrico.
O método não é indicado para pessoas que não
desejam participar de programas de reeducação alimentar associados a exercícios
físicos, portadores de doenças gástricas e que tenham se submetido a cirurgias
abdominais anteriormente, pessoas com problemas no esôfago ou faringe, grávida ou
mães em períodos de amamentação e pessoas com quaisquer vícios.
Para calcular o IMC, divida o peso pelo
quadrado da sua altura. Exemplo: 71 (quilos) x 1,60² (altura) = 27,7 = sobrepeso.
Como têm sido os resultados?
Segundo estudo brasileiro realizado pelo Dr. José
Afonso Sallet e publicado na revista Obesity Surgery, 573 pessoas que
fizeram uso de balões gástricos eliminaram 48% do peso inicial e
reduziram o IMC em até 5,3 pontos, seguindo também o programa multidisciplinar e
um plano alimentar de 1000 calorias diárias.
Após um ano da retirada do balão, pacientes conseguiram
manter mais de 90% da perda de peso.
Quais são os efeitos colaterais?
Náuseas, vômitos e/ou dor abdominal logo após
o procedimento, além de gases e flatulência causados pela
inserção de um "corpo estranho" no organismo. Segundo endocrinologista
do Departamento de Clínica Médica da USP, Dra. Kátia Seidenberger, o balão
gástrico não prejudica a absorção de nutrientes pelo organismo,
diferente do que ocorre com outros métodos.



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