Atividade física contra a asma
Basta uma caminhada mais puxada e lá vêm a tosse, o chiado
no peito e a falta de ar. Diante desse quadro característico, que deixa o
indivíduo asmático literalmente sem fôlego, é natural surgir certa apreensão
quando o assunto é atividade física. Mas, de acordo com novas evidências
científicas, isso não passa de um temor infundado. O esporte, diferentemente do
que se pensava, ajuda à beça no controle da asma. Desde que praticado
adequadamente, que fique claro.
A preocupação com os portadores do distúrbio levou
pesquisadores da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, a entrevistar, por
meio de questionários eletrônicos, 3 200 educadores físicos. O objetivo era
saber como esses profissionais lidavam com atletas asmáticos. Só 17% deles
faziam testes para detectar crises induzidas por exercício. E 39% acreditavam
que não era preciso disponibilizar um inalador para casos de emergência.
Essas condições explicam por que muitas vezes quem tem asma
se sente desmotivado ou receoso em aderir à prática esportiva. Mas o autor da
pesquisa, Jonathan Parsons, garanteque não há motivo para ficar parado. “Com
alguns cuidados, como fácil acesso a medicamentos e orientação correta, o
treinamento físico é seguro e melhora a capacidade cardiorrespiratória da
pessoa”, assegura.
Aqui no Brasil, especialistas do Hospital das Clínicas de
São Paulo confirmam o benefício. “Em testes realizados com ratos, verificamos
que os exercícios aeróbicos leves e moderados reduziram marcadores de
inflamação típicos da asma, como substâncias chamadas citoquinas e
interleucinas, além de células denominadas eosinófilos”, conta o fisioterapeuta
e educador físico Celso Carvalho, um dos autores do estudo.
Ao repetir o experimento com crianças portadoras da doença, mais um motivo para comemorar: “Os sintomas e as crises diminuíram e a qualidade de vida delas melhorou muito”.
Algumas precauções são fundamentais para que o hábito de
sacudir o corpo atue a favor dos pulmões de quem tem asma. “Ao iniciar o
treinamento, o paciente deve estar estável, sem crises recorrentes. Para isso,
é preciso procurar um especialista, que, se necessário, prescreverá
medicamentos broncodilatadores e corticoides”, explica Celso Carvalho. O
segundo passo é escolher um exercício que agrade. Pode ser caminhada, corrida,
ciclismo ou tênis. O importante é que a atividade seja aeróbica.
É imprescindível considerar também as características do
lugar onde a pessoa vai se exercitar. “Para esportes aquáticos, como natação ou
hidroginástica, deve-se optar por piscinas aquecidas, protegidas do frio e
tratadas com sal, já que o cloro é um fator irritante”, sugere o especialista em imunologia Adelmir
Machado , coordenador do Programa de Controle da Asma e da
Rinite, na Bahia. “Já para aqueles que preferem correr no parque é aconselhável
evitar os dias muito secos, os locais poluídos e os horários de pico no
trânsito.”
Por fim, é essencial uma conversa com um educador físico ou
fisioterapeuta para obter um programa de treinamento que leve em conta o estado
de saúde do indivíduo. “Antes de malhar pra valer, faça de cinco a dez minutos
de aquecimento em intensidade baixa. Isso ajuda a prevenir o estreitamento dos
brônquios, típico da asma”, diz Machado.
O ideal é se exercitar de30 a
60 minutos três vezes por semana. “Vá com calma no início e aumente o ritmo à
medida que for ganhando condicionamento”, diz o educador físico Dalton Grande.
O ideal é se exercitar de
Até que o atleta estreante se sinta seguro, recomenda-se que
ele tenha uma bombinha de broncodilatador ao alcance das mãos, para o caso de
um eventual mal-estar. Mas tanta cautela só é exigida no começo. A expectativa
é que o dia a dia do asmático ganhe fôlego novo.
Fonte: Saúde é Vital


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